O senador Paulo Paim (PT-RS), em discurso nesta terça-feira (19), registrou a
realização do seminário “Sindicalismo Livre e Forte”, em Curitiba, nos dias 14 e
15 de junho. O encontro debateu, entre outros pontos, os “ataques” que o Direito
do Trabalho e o movimento sindical estariam sofrendo por meio de propostas
legislativas com objetivo de flexibilizar direitos trabalhistas. Além disso,
tais projetos atentariam contra a estrutura do sistema confederativo e de
custeio dos sindicatos consagrado pela Constituição, segundo o
parlamentar.
Paim fez a leitura do
documento elaborado ao final do evento, a chamada Carta de Curitiba, com
orientações às entidades sindicais e com o posicionamento do movimento sindical
dos trabalhadores paranaenses à sociedade brasileira. O texto diz, por exemplo,
que o direito de organização dos trabalhadores em sindicatos situa-se no rol dos
direitos humanos fundamentais.
“Práticas antissindicais”
Outro ponto da carta repudia
“práticas antissindicais” patronais e estatais manifestadas na forma de decisões
judiciais ou na atuação de membros do Ministério Público do Trabalho, com
interferências na administração de sindicatos e nas decisões soberanas tomadas
nas assembleias das categorias profissionais. Os sindicalistas apoiaram o
projeto que coíbe movimentos antissindicais e regulamenta as taxas negociais, de
autoria do próprio Paim e de Antonio Carlos Valadares (PSB-SE).
A carta orienta ainda a
denunciar, perante o escritório da Organização Internacional do Trabalho no
Brasil, os atos antissindicais praticados pelo Poder Judiciário e o Ministério
Público do Trabalho (MPT). Segundo o documento, o Precedente Normativo 119 e a
Orientação Jurisprudencial 17 do Tribunal Superior do Trabalho e da atuação de
alguns membros do Ministério Público do Trabalho violam ao direito humano
fundamental da liberdade de organização e de custeio das entidades sindicais,
bem como da indevida e ilegal limitação do direito de estabilidade de dirigentes
sindicais prevista na Súmula 369 do TST.
ITAMARATY
Ainda sobre o tema greve, o
senador anunciou que os funcionários do Ministério das Relações Exteriores vão
entrar em greve no próximo dia 20, desde assistentes e oficiais de chancelaria
até os diplomatas, passando também pelos funcionários do mundo todo, brasileiros
e estrangeiros que atuam na missão diplomática. Eles desejam recompor perdas
salariais e defendem a valorização da categoria.
Paim fez um apelo ao Itamaraty
para que abra as negociações e se reúna com as entidades que representam os
servidores para chegar a consenso diante do impasse. O senador afirmou que os
funcionários que trabalham no exterior – brasileiros ou estrangeiros –
contratados pelas embaixadas, vivem em um limbo jurídico e que é necessário
aprovar um marco legal para a sua situação.
Fonte: Agência Senado
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